domingo, 13 de maio de 2007

O majestoso Fitz Roy...

Ponto alto da viagem. A montanha mais esperada e festejada por todos, que leva o nome do capitão do navio Beagle em sua homenagem. Saímos pela manhã para este trekking até a Laguna Capri, onde seria o nosso acampamento desta vez; percurso fácil, chegamos na hora do meio-dia e almoçamos nas margens da Laguna.


Conforme prosseguíamos pela trilha, o imponente Fitz Roy se desnudava aos poucos para as nossas câmeras. Aqui, entre as formações rochosas, prenúncio de grandes emoções...


Luciana sendo engolida pela árvore faminta...


Às margens da Laguna Capri, águas cristalinas nos saciavam a sede e também serviam na composição fotográfica


Trilha macabra até a Laguna de Los Tres, exigiu muita perseverança dos trekkers...


Visual da Laguna de Los Tres, águas esmeraldas nos presentearam após intenso esforço físico. Simplesmente indescritível...


"Mutuca" patagônica, sedenta por sangue brasileiro...


Felizes escaladores admirando o visual da Laguna Sucia (na foto: Nede, Tadeu, Felipe, Simone. Luciana e Fábio), créditos também para Flávio, Telmo e o guia Gustavo


Laguna Sucia se abastecendo do derretimento das neves eternas... olha o efeito estufa aí!


Agora é só descer, o acampamento está atrás de nossas cabeças, na segunda Laguna (a menor). 600 metros de desnível e muita energia!!!! Obrigado botinhas Timberland!!!


Fitz Roy, que exibido esse moço!!!!


Luzes do crepúsculo anunciando o alvorecer espetacular que estava por vir...


Bom, essa noite foi muito difícil para a Luciana, resmungou a noite inteira de frio. Após a comemoração do aniversário da Tânia na barraca dos Pitufos, fomos dormir exaustos, mas o frio não nos deixava relaxar... 4 graus dentro da barraca, aí já é demais. É como dormir dentro da geladeira gente! E eu fiquei atucanando para acordar cedo e fotografar às 6 horas da manhã e pegar as primeiras luzes da manhã refletidas no Fitz Roy...

Simplesmente indescritível, né pessoal...???


Essa aí é pro prof. Melamed, a "gema" preciosa que impulsiona tantos caçadores de tesouros virem até aqui para ver essa grandiosidade ao vivo, com todas as cores impossíveis e inimagináveis...


Fitz Roy ou Chaltén, na linguagem local, significa montanha que fuma!!! Aí ele está dando só uma pitadinha...


Até a natureza se desdobra perante a imponência destas montanhas...


Fitz Roy e cachoeira, Luciana dormiu no sol enquanto fotografava esta paisagem surreal...


Uma das fotos preferidas que a Luciana bateu no caminho de volta do acampamento...


Carpintero gigante (Campephilus magellanicus), igualzinho ao do desenho animado!!! O som do pássaro bicando nos troncos é possível de ser ouvido há mais de 100 metros...


Contar com a sorte faz diferença nestas situações. No caminho de volta para Chaltén, logo após o acampamento da Laguna Capri, encontrei uma família de pica-paus. Ficamos mais de 30 minutos nos perseguindo no meio do bosque, provando que a fotografia da fauna exige muito mais das habilidades do fotógrafo...

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Chorillo del Salto e Loma del Pliegue Tumbado

Esses eram os dias de "descanso" entre as duas jornadas às montanhas. Tempo para dormir, comer, comprar, enfim, fazer o que quiser! Decidimos no primeiro dia de manhã descansar, e tomar um bom café da manhã na Pousada. Saímos para uma caminhada tranquila, 10 km no total, por estrada pavimentada, acompanhado o Rio de Las Vueltas.

Luciana localizando a rota com seu "GPS"...


Rio de Las Vueltas, com suas águas límpidas, emoldurava o cenário da caminhada


Casal de patos selvagens protegendo a sua cria, nas margens do Rio de Las Vueltas


Chegando no Chorillo del Salto, os cliques se tornaram mais freqüentes...


Luciana em sintonia com as formas da queda d'água


Truta voadora se exibindo... só na Patagônia mesmo! Aqui estão um dos melhores lugares para pesca com mosca (Fly Fishing) do Hemisfério Sul


Gaudério patagônico e seu cão fiel, elementos comumente encontrados até no sul do Brasil


Os céus sempre surpreendentes nesta terra inóspita...


Bandeira da Província de Santa Cruz; Fitz Roy imponente e constelação Cruzeiro do Sul, sol é céu azul! Nada mais sugestivo...


Luciana pensando em comprar ou não souvenirs do local


Cachorros patagônicos, um estereótipo aqui; sempre peludos e reforçados para sobreviver às intempéries do local.


No dia seguinte, fomos fazer um "passeiozinho" para esticar os músculos, e preparar para o dia seguinte que seria a maior caminhada da viagem (Fitz Roy).
Loma del Pliegue Tumbado
, uma montanha a leste de El Chaltén, de onde poderíamos visualizar o Cerro Torre e o Fitz Roy de um ângulo lateral. Alguns membros mais afoitos, foram até o final da trilha morro acima, e encararam ventos fortíssimos, sendo recompensados com o inédito visual. A parte do grupo mais "consciente", a qual nos incluíamos, parou na metade da trilha e já se deu por satisfeita...Tinha muuuita coisa no próximo dia!!!

O sol, sempre forte e presente, exigia quilos de protetor solar. Mesmo assim, saímos com as mãos escurecidas e envelhecidas... O bicho é poderoso!!!

Isso aqui só pode ter sido um raio, literalmente abriu a árvore no meio. Coitada da lenga !!! Já não bastam as condições extremas...

Uma das fotos preferidas da Luciana. Ñires com ramificações geométricas


Fitz Roy, independentemente do ângulo, sempre o assunto mais fotografado!!!


O céu sempre dando o seu espetáculo... e nós de camarote apreciando!!!


Até as raras nuvens iridescentes apareceram para colorir o nosso caminho...


Num mesmo ângulo, Cerro Torre à esquerda com nuvens e Fitz Roy à direita. Dá para ter uma noção da grandiosidade que estaria por vir...

A biodiversidade é muito limitada pelos acontecimentos climáticos desta região... Mas a natureza sempre acha uma maneira de se impôr sobre todas as adversidades...

No final de cada dia, o sublime pôr-do-sol sensibilizava ainda mais a nossa alma e incitava o pensamento de que nada pode ser mais fantástico que a arte da própria natureza; que o homem ainda insiste em castigar....

As sensações de paz e êxtase proporcionadas a cada local descoberto, nestes pequenos jardins do Éden, nos fazem pensar que ainda vale a pena lutar pelo nosso planeta. Uma viagem destas nos coloca para refletir sobre o nosso papel nesta esfera, e a mãe Natureza nos dá um "tapa de luvas" para acordarmos antes da nossa própria destruição...

terça-feira, 17 de abril de 2007

Trekking à Laguna Torre

Um dos pontos altos da viagem. Mistério e magia nos esperavam nesta caminhada que duraria pelos próximos 3 dias... Preparação intensa e adaptação com o material que levaríamos (mochila de trekking) e vestuário apropriado. Enfrentaríamos sol e chuva, calor e frio, vento e até neve... em pleno verão Patagônico!!!!

Aí estavam, em grande estilo, os valentes desbravadores que iniciaram o trekking até a Laguna Torre e Glaciar Torre. Da esquerda para a direita: Gustavo, Clara, Tadeu, Bete, Osvaldo, Telmo, Tânia, Simone, Nede, Flávio, Felipe, Luciana e Fábio. Ao fundo: Fitz Roy encoberto. Foto tirada pela Lúcia em frente à pousada Lunajuin.


Luciana no início da trilha, observando atentamente as instruções do Parque Nacional


Casal "entrouxado", preparado para a intempéries


Saímos da cidade rumo ao Acampamento Prestadores, quase ao lado da Laguna Torre e perto do Glaciar Torre. Levamos quase o dia inteiro caminhando e fotografando com muita vontade. O tempo ainda estava um pouco nublado, e encobria o picos mais altos.


Arbusto predominante na região, os frutos do Calafate rendem ótimas geléias e sorvetes

Chegamos quase no final da tarde, nos arrumamos no acampamento e seguimos para pegar o pôr do sol na Laguna Torre... que ventania!!!


Guia Gustavo (de azul) explicando para o grupo como se formam as morenas (sedimentos do retrocesso dos glaciares) durante as glaciações


Fotógrafos usando todas suas técnicas de fotografia no contraluz...


A janta foi espetacular, na sala dos Pitufos (Smurfs em espanhol), porque os pratos e copos eram azuis e bem pequeninhos. A comida era de primeira, picada (picadinhos), sopa, prato principal e postre (sobremesa), regado a um bom vinho argentino...preparada pela guia Ivone. Poderíamos dizer, um acampamento quase selvagem...he he he! Noite de sono na barraca e dentro de sacos de dormir para -25 °C.


Acampamento Prestadores, protegido dos ventos patagônicos pelo bosque de lengas


No segundo dia, nos preparamos para fazer o trekking até o Glaciar Torre, não esperávamos tanto sobe desce nas montanhas, que cansaço!!! Passeio legal, o tempo que não ajudou (nublado). O ponto alto foi a travessia na ida e na volta sobre o Rio Fitz Roy, que nasce na Laguna Torre, pela Tirolesa...BACANA!!!


Todos os movimentos eram meticulosamente registrados. Telmo em ação na Tirolesa e Nede no comando da fotográfica...!!!


Flávio aproveitando os últimos raios de sol para capturar o azul eterno do Glaciar Torre (tem que justificar a fama de ótimo fotógrafo e fazer jus à titulação...)


Tudo era motivo para clicar e trazer consigo o astral da Laguna Torre, mesmo que indiretamente...


Foto preferida da fotógrafa preferida... ;-), combinou até a roupa!!!

Descanso no acampamento Prestadores e reconhecimento das cercanias do acampamento. À noite, abriu um céu espetacular, como nunca antes visto, temperatura baixa (3 °C) e zilhões de estrelas no céu. Até o Cometa McNaught deu uma palhinha, apesar da magnitude já estar mais baixa. Fotos junto com o companheiro Felipe, os dois de meia e de chinelo nesta temperatura à meia noite...(juro!)

Céu fantástico, Cometa à esquerda e Cerro Solo à direita, tempo de exposição 10 min

Na outra manhã, fomos fazer a trilha até o Mirador Maestri, pelo outro lado da Laguna Torre, dia em que choveu cristais de gelo. Andamos pelo meio da floresta de lengas e ñires, costeando riachos e cascatas incríveis.

Fotógrafo em momento contemplativo das criações do Todo Poderoso...


A cada momento nos surpreendíamos mais com as belezas intocadas do local...


No caminho de volta, há todo este tempo sem banho, implorávamos por uma banheira de espuma a cada quilômetro andado. Chegamos no final da tarde. Teríamos então dois dias livres para descansar os músculos e nos preparar para o trekking ao Fitz Roy.


Cerro Torre (3.128m) em todo seu esplendor, juntamente com as agulhas Egger (2.685m) e Stanhardt (2.650m); só se mostrou no último dia. É considerada uma das montanhas mais difíceis de escalar em todo o mundo.